Chegou o caríssimo Ford Focus

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(Marco ASA) – O jornalismo automotivo no Brasil funciona assim: em cada estado brasileiro, uma quantidade reduzida de “escolhidos” se tornam os jornalistas automotivos oficiais das fábricas de carros. Eles podem trabalhar em veículos de comunicação que “falam” para menos de mil pessoas mas, por algum motivo, são os “escolhidos”. Então, quando uma montadora lança seu novo produto, leva esses “messias do jornalismo” para um hotel cinco estrelas, os alimenta com boa comida, enchem seus cérebros de espumante, mostram carros completos e, “pimba!”, ganham divulgação muito favorável, que você consome, feliz. Afinal, se você fosse convidado por alguém, ficasse num fim de semana perfeito, com tudo pago, iria falar mal do produto do anfitrião? Não, né?

Pois assim acontece com carros. A Ford acaba seu novo Focus. Produto ótimo, motor flex com injeção direta de última geração. Levou os coleguinhas para Mendoza, na Argentina, onde o carro será fabricado e estão “pipocando” notícias de que o carro é perfeito, maravilhoso, que você tem que comprar…tudo escrito na sala de imprensa, entre um espumante e outro.

Agora, o carro é bom? Sim, claro. O Focus sempre foi um carro de respeito. Sua suspensão sempre foi uma das mais acertadas do mercado, sendo um carro ótimo de dirigir, rivalizando com o VW Golf a supremacia entre os médios compactos. Só que, assim como o Golf, o Focus será vendido aqui por R$ 61 mil na sua versão básica (hatch) e podendo chegar a ridículos R$ 88 mil na versão completa. O Golf parte de R$ 70 mil e chega a mais de R$ 100 mil na versão GTi.

Ora, na Europa, Focus e Golf são carros de massa, custando o equivalente a R$ 30 mil. As montadoras culpa impostos e outros fatores chamados de “Custo Brasil”. Esquecem do “Custo Ganância”. As montadoras instaladas aqui recebem incentivos fiscais e não mantém empregos, mantém suas matrizes deficitárias com o lucro embutido no preço que os “trouxas” brasileiros pagam sem reclamar. Mas, não esperem que os jornalistas “especializados” falem sobre isso. Eles estão envolvidos “até o talo” com a Fenabrave –  Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores – ou Anfavea – Associação Nacional de Fabricante de Veículos. Então, entre uma viagem e outra, eles replicam o que as assessorias das montadoras informam. E você, continua achando que o Brasil é um grande fabricante de veículos. Montadora nacional, mesmo, as estrangeiras “mataram”. Era a Gurgel!

Nota de última hora: Existem veículos sérios de comunicação que testam os carros sem a anuência de fábrica. Que eu conheça, a Revista Quatro Rodas e os suplementos automotivos dos jornais Folha de São Paulo e Estadão, testam os carros sem precisar comparecer a eventos “oficiais”. Devem existir outros mas, a grande maioria, é “chapa branca”.

 

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