ARTIGO: Como falar em crescimento com rodovias em péssimo estado e mal projetadas?

ImagemRodovia no Mato Grosso. Você paga imposto para isso?

(Marco ASA) – O brasileiro é cobrado por tudo. Paga imposto em um saco de arroz, em um litro de gasolina ou no lápis para seu filho. Paga imposto sobre tudo…bens, serviços, imposto de renda, imposto para contratar, imposto para ser contratado… Você sabe quanto cada brasileiro paga de tributo por litro de combustível? Veja o que diz a ANP:

– ICMS (imposto estadual, varia conforme o estado) 25% a 31% Gasolina /12% a 17% Diesel /12% a 30% Alcool. PIS/COFINS (imposto federal) R$ 0,2616/litro Gasolina /R$ 0,1480/litro Diesel / R$ 0,12 (R$ 0,048 sobre o produtor e R$ 0,072 sobre a distribuidora) Alcool. CIDE (imposto federal) R$ 0,23/litro Gasolina / R$ 0,07/litro Diesel / não incide sobre o álcool. 

Pois é…e pra que? Tanto imposto deveria ser revertido para que os brasileiros tivessem vias bem conservadas, sinalização adequada, pistas duplicadas nas principais rodovias federais. Mas, sinceramente, temos o retorno básico de tanto dinheiro arrecadado? NÃO.

Tome como exemplo a BR-163. Uma rodovia que corta dois dos estados campeões em produção agrícola, Mato Grosso do Sul e Mato Groso, deveria ter sido duplica há décadas. No entanto, hoje vemos uma rodovia de pista dupla, sem acostamento, cheia de buracos ou pontos de descanso. 

Ao redor de Campo Grande, por exemplo, o trânsito é intenso, colocando a vida dos motoristas e pedestres em risco. O rodoanel da cidade está todo esburacado e foi mal projetado, já que não previram que ele seria “engolido” pela cidade, que cresce em seu entorno.

No ano passado, a presidente Dilma anunciou um grande projeto de logística viária, onde vários trechos de rodovias seriam repassados à iniciativa privada, que duplicaria e manteria as rodovias federais, em troca da cobrança de pedágio.

Quando morei em São Paulo, vi dois modelos de privatização de rodovias. Um do governo do Estado, com pedágios altíssimos, mas com serviços de primeiro mundo, e o da Rodovia federal Regis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, com pedágio bem mais barato, mas com serviços um pouco piores. Mesmo assim, trafegar na Régis hoje é infinitamente melhor que antes da privatização. Não há buracos em profusão, trechos foram duplicados e, se o seu carro quebrar ou você sofrer um acidente, é atendido por UTIs  móveis ou por guinchos com socorro mecânico gratuito.

Mas, voltado às BRs longínquas, como cobrar dos caminhoneiros que descansem entre uma jornada e outra se não há onde parar com conforto e segurança? Como já disse, se não há nem acostamento, quanto mais baías de descanso, como na Europa ou em algumas rodovias privatizadas de São Paulo.

Desperdício – Outro problema grave das nossas rodovias é que seu péssimo estado de conservação ou a falta de planejamento viário influem diretamente no preço dos fretes. Afinal, se o caminhão gasta mais pneus, combustível, demora mais a chegar, o frete fica mais alto. Se o frete fica mais alto, o arroz, feijão, televisão, carne e tudo o que você consome, ficam mais caros.

Além disso, como nossos produtores agrícolas podem ser mais eficientes se nosso Custo-Brasil é mais caro justamente pelo péssimo estado de nossas rodovias, pela nossa malha ferroviária caquética e pela simples falta de investimento em hidrovias?

Tomemos o exemplo da malha ferroviária, que foi privatizada e as empresas que assumiram os trilhos investiram o mínimo para lucrar sem gastar muito. Enquanto nos países desenvolvidos, as ferrovias representam mais de 40% do transporte de cargas, no Brasil, é menos de 10%…e de forma precária.

Não é preciso entender muito de logística para saber que seria muito mais interessante que os caminhões levassem a produção das propriedades e fábricas até estações de trens, que fariam as viagens mais distantes. Teríamos menos desperdício, mais economia, mais eficiência, menos gasto com combustível, menos emissões de poluentes etc.etc.etc.

Mas, somos um país rodoviário, fazer o que? Então, chega de esperar e vamos cobrar de forma veemente uma malha viária renovada. Chegamos ao limite! Não dá mais para esperar. Queremos viajar em rodovias em bom estado, duplicadas, bem sinalizadas e com apoio. Não é um favor que nos fazem. Estamos pagando para isso! E queremos Já!!!

ImagemRodovia Régis Bittencourt: exemplo de pedágio barato e melhoria evidente…

 

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